A renúncia de Donald Trump antes do Inverno                                            de 7 de Junho de 2026

 por Yann Loïc Araújo

 

A renúncia de Donald Trump antes das eleições intercalares de 3 de Novembro deste ano (as midterms) passando o testemunho a JD Vance - que garantiria a Trump e ao seu clã um perdão geral e incondicional - é um tema que impacta o mundo inteiro, pois tratar-se-ia efetivamente do fim da política MAGA amalgamada com a doutrina Monroe que tem afligido e impactado todas as regiões do globo, incluindo Portugal.

Aguardamos hoje, impotentes, que o Trumpismo nos retire da crise energético-financeira em que nos lançou ao desencadear com Israel uma guerra contra o Irão, que conduza a uma trégua o mortífero conflito na Ucrânia, que não destrua a NATO e a ONU, que desista de anexar o Canadá, a Gronelândia, a Venezuela, Cuba... Trump destruiu um capital de confiança que pertencia aos Estados Unidos da América e ao seu povo, fez implodir o business as usual da economia americana usando a técnica de ameaçar primeiro e negociar depois, a maior parte das vezes sem resultados positivos como se viu recentemente na sua triste ida à China.

Pouco mais se poderia esperar, na verdade, dado que o seu percurso é excecionalmente público, cruzando-se por demasiadas ocasiões com um reality show, algo impensável para constar no curriculum de um líder de uma qualquer democracia madura. Na terra das oportunidades, no entanto, uma criatura como Trump convenceu os seus compatriotas a nele votarem massivamente, apesar de saberem ser um misógino assumido capaz de pagar a atrizes pornográficas por sexo enquanto a sua mais recente mulher convalescia de um parto, de ter levado à falência muitos dos seus negócios, de ser um evasor fiscal bilionário sem ter a menor noção do mundo real, chegando a ser condenado em quatro casos pouco antes de ganhar o 47º mandato como Presidente por ter falsificado registos comerciais. Um burlão, burlesco e histriónico, com hábitos sexuais provavelmente criminosos como o deixam prever os sucessivos entraves às investigações sobre pedofilia, prostituição e associação criminosa que tem abalado uma boa parte da elite mundial num círculo de vício encabeçado por Epstein, em tempos um dos seus bons amigos.

Qual a principal razão para que a democracia tenha funcionado a favor de Trump, então, apesar de todos estes aspetos negativos? Porque é que o bom senso e instinto popular elegeram tal personagem para seu presidente? Porque o trade-off, as vantagens para garantir uma vida próspera e tranquila eram superiores ao plano cansado e eficazmente atacado da alternativa.

Rapidamente no entanto os problemas começaram a surgir, verificando-se que a palava de um burlão não passa disso, seja na sua capacidade de resolver conflitos como a de os não iniciar, fosse no saneamento da máquina do estado – rapidamente sequestrado – ou na capacidade de proteger os interesses económicos-financeiros nacionais. Confirmando mais uma vez a regra histórica que estabelece que os movimentos políticos e sociais se dão essencialmente por rareamento de dinheiro e carga fiscal, o trumpismo começou a ver a sua popularidade degradar-se junto dos eleitores e dos seus aliados políticos (internos e externos) quando os resultados da sua governação conduziram ao agravar da dívida, ao abrandar do crescimento e criação de emprego, à sustentação do sistema graças a mecanismos de compensação baseados em contratos militares massivos. Os media são hoje geralmente unânimes (com exceções conhecidas) em como os EUA sofrem hoje um empobrecimento ao nível do pib per capita graças a uma combinação de estagnação de salários, inflação e aumento geral dos preços. Condições que afetam a confiança do consumidor/espectador/eleitor, que busca alternativas que rapidamente lhe são oferecidas no espaço político, onde nunca há vazio de poder e onde hoje a informação verdadeira ou maliciosa/manipulada circula a uma velocidade nunca antes vista. As razões para a quebra de perfomance são conhecidas, desde a guerra incontrolada de tarifas aos vários conflitos regionais e ultramarinos em que os EUA estão envolvidos, numa realidade intranquila e grande consumidora de recursos.

Porque razão então acreditamos que o pico da capacidade mobilizadora do 47º POTUS ficou para trás e que há vários sinais – não os vamos enumerar todos – que apontam para que antes das midterms o Trumpismo acabará?

Desde logo o frenesi com que Trump se tem dedicado a deixar uma marca, várias, algo de inédito e francamente barroco. Desde ter uma nota de dólar com o seu retrato, a um obelisco e um arco Trump, ao salão de baile que determinou a destruição de parte do palácio da presidência Norte-Americana, passando pela renomeação do Trump-kennedy center (agora posto em causa) a aeroportos rebatizados com seu nome (Palm Beach) ao Instituto da Paz… uma lista exemplar e longa de culto de personalidade apresenta-se-nos, erigida em poucos meses, como se o mandato estivesse a terminar.

Há, claro, os negócios que pública ou secretamente Trump e a sua família têm realizado numa desbragada manipulação de informação privilegiada, fazendo e desfazendo fortunas. Os números são indecorosos, mas os lucros com transações bolseiras do presidente e do seu clã, rondarão os 2 a 4 biliões de dólares de acordo com fontes confiáveis. Numa lógica de quit while you are winning, é pouco provável que os Trumps julguem que podem manter esta situação por muito mais tempo - que tudo tem para configurar como crime financeiro - para além das midterms. Perdendo o Senado ou a Casa dos Representantes, a impugnação de mandato, o impeachment, por este motivo é mais do que provável.

Tal como é o facto de as várias operações militares especiais em curso (para usar uma terminologia em voga por parte de um assumido apoiante de Trump) estarem a ser conduzidas sem autorização do congresso, violando a constituição Norte Americana (artigo 1, secção 8) que reserva ao congresso a prerrogativa de declarar guerra.

Finalmente, o caso Epstein irá explodir em breve, sobretudo após a demissão da Procuradora-Geral Pam Bondi em Abril deste ano, que poderá vir a constituir-se como outro John Bolton. Em todo o caso, a demissão de Bondi foi assumidamente uma consequência dos avanços e recuos no caso Epstein, prevendo-se em vários fora que surja o que se suspeita há muito:  a revelação dos maus hábitos do presidente em exercício como predador de raparigas menores de idade proporcionadas por Epstein.

Por todos estes motivos, e por outros que aqui não enumeramos, é provável que Trump renuncie antes de um mais que previsível impeachment daqui a cinco meses, recebendo um perdão total e incondicional concedido pelo seu actual vice-presidente, tal como sucedeu em 1974 com Nixon e Gerald Ford. O precedente existe, e constituiria o fim de uma curta era.  Aliás, o plano já está em marcha, com o recente acordo de Trump com o seu (!) Departamento de Justiça a proibir perpetuamente o governo federal de processar ou investigar questões fiscais e financeiras envolvendo o próprio Trump e a sua família.

 

English version

 

 

Donald Trump's Resignation Before Winter

 

Donald Trump's resignation before the midterm elections on November 3rd of this year, passing the baton to JD Vance - which would guarantee Trump and his clan a general and unconditional pardon - is a topic that impacts the entire world, as it would effectively be the end of the MAGA policy amalgamated with the Monroe Doctrine that has afflicted and impacted all regions of the globe, including Portugal.

 

Today, we wait helplessly for Trumpism to pull us out of the energy and financial crisis into which it plunged us by unleashing a war with Israel against Iran, for it to lead to a truce in the deadly conflict in Ukraine, for it not to destroy NATO and the UN, for it to give up annexing Canada, Greenland, Venezuela, Cuba... Trump destroyed a capital of trust that belonged to the United States of America and its people, he made the business as usual of the American economy implode using the technique of threatening first and negotiating later, most of the time without positive results as seen recently in his sad trip to China. In truth, little more could be expected, given that his trajectory is exceptionally public, crossing paths on far too many occasions with a reality show, something unthinkable for the resume of a leader of any mature democracy. In the land of opportunity, however, a creature like Trump convinced his compatriots to vote for him massively, despite knowing he was an avowed misogynist capable of paying pornographic actresses for sex while his most recent wife was recovering from childbirth, of having bankrupted many of his businesses, of being a billionaire tax evader without the slightest notion of the real world, even being convicted in four cases shortly before winning his 47th term as President for falsifying business records. A con man, a swindler and histrionic, with probably criminal sexual habits, as successive investigations into pedophilia, prostitution, and criminal association that have shaken a good part of the world's elite in a circle of vice headed by Epstein, once one of his good friends, suggest.

What is the main reason why democracy worked in Trump's favor, then, despite all these negative aspects? Why did common sense and popular instinct elect such a character as their president? Because the trade-off, the advantages of guaranteeing a prosperous and peaceful life, were superior to the tired and effectively attacked plan of the alternative.

However, problems quickly began to emerge, revealing that a con man's word is just that, a con man's word, whether in his ability to resolve conflicts or not initiate them, or in the cleansing of the state apparatus – which was quickly hijacked – or in his ability to protect national economic and financial interests. Confirming once again the historical rule that establishes that political and social movements occur essentially due to a scarcity of money and tax burden, Trumpism began to see its popularity decline among voters and its political allies (both internal and external) when the results of its governance led to an increase in debt, a slowdown in growth and job creation, and the maintenance of the system thanks to compensation mechanisms based on massive military contracts. The media are now generally unanimous (with known exceptions) in how the US is currently suffering from impoverishment in terms of GDP per capita thanks to a combination of wage stagnation, inflation, and a general increase in prices. Conditions that affect consumer/viewer/voter confidence, leading them to seek alternatives that are quickly offered in the political arena, where there is never a power vacuum and where true or malicious/manipulated information circulates at an unprecedented speed. The reasons for the performance decline are well-known, ranging from the uncontrolled tariff war to the various regional and overseas conflicts in which the US is involved, in a restless and resource-intensive reality.

 

Why then do we believe that the peak of the mobilizing capacity of the 47th POTUS is behind us and that there are several signs – we will not list them all – that indicate that Trumpism will end before the midterm elections?

 

First and foremost, the frenzy with which Trump has dedicated himself to leaving a mark, several marks, something unprecedented and frankly baroque. From having a dollar bill with his portrait, to an obelisk and a Trump Arch, to the ballroom that determined the destruction of part of the US presidential palace, passing through the renaming of the Trump-Kennedy Center (now in question) to airports renamed after him (Palm Beach) to the Institute of Peace… an exemplary and long list of personality cults is presented to us, erected in a few months, as if the term were coming to an end.

There are, of course, the deals that Trump and his family have publicly or secretly carried out in an unbridled manipulation of privileged information, making and unmaking fortunes. The numbers are indecent, but the profits from stock market transactions of the president and his clan will be around 2 to 4 billion dollars according to reliable sources. In a logic of quit while you are winning, it is unlikely that the Trumps believe they can maintain this situation for much longer - which has everything to constitute a financial crime - beyond the midterms. Losing the Senate or the House of Representatives, impeachment is more than likely for this reason.

 

Just as the fact that the various ongoing special military operations (to use a term in vogue by an avowed Trump supporter) are being conducted without congressional authorization, violating the US Constitution (Article 1, Section 8) which reserves the prerogative to declare war to Congress.

 

Finally, the Epstein case will explode soon, especially after the resignation of Attorney General Pam Bondi in April of this year, which could become another John Bolton. In any case, Bondi's resignation was admittedly a consequence of the advances and setbacks in the Epstein case, and it is predicted in several forums that what has long been suspected will emerge: the revelation of the incumbent president's bad habits as a predator of underage girls provided by Epstein.

 

For all these reasons, and others not listed here, it is likely that Trump will resign before a more than predictable impeachment in five months, receiving a full and unconditional pardon granted by his current vice president, just as happened in 1974 with Nixon and Gerald Ford. The precedent exists, and it would constitute the end of a short era. Moreover, the plan is already underway, with Trump's recent agreement with his (!) Department of Justice perpetually prohibiting the federal government from prosecuting or investigating Trump and his family on tax and financial matters.

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